sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Saborear

O que se entende por sabor?
Automaticamente pensamos nas papilas gustativas a entrarem em contacto com partículas que conferem a um certo tipo de alimento/objecto um gosto, um "sabe a isto" que imediatamente relacionamos com algo que já provamos, estivemos em contacto.
Como sempre se disse devemos comer devagar, saborear, apreciar cada componente duma receita. Dum conjugar de paladares, duma explosão de sentimentos contraditórios. Por falar em contraditórios, agora mais que nunca está na berra o agri-doce. Afinal o que se entende por agri-doce? Sempre houve o mito que os opostos se atraem. Uma atracção para lá de normal. Um força de magnetização astronómica. 
Eu fui agri para quem não devia. O doce que deveria ter recebido em troca não se concretizou. Aquando do momento agri, esperando pelo doce, o agri consumiu-me, progressivamente até se tornar intragável. Consumia tudo o que de bom havia. Imediatamente a consciencialização que ressacava do doce. Tudo o que tivesse de ser feito para colmatar a falha de existência. Não havia papilas gustativas a medir. Lentamente o amargo condicionava o equilibrio, o yin e yang da nossa existência, neste caso da minha. A minha existência pedia com extrema urgência o doce que me faz prolongar. Imediatamente todas as funções do meu organismo apelavam para um consumo radical e instantâneo de doce. Para tudo voltar ao normal era necessário absorver a exacta quantidade de doce para compensar essa mesma quantidade de agri que foi expelida. Isso seria na perfeição, mas para aprender a combater essa irregularidade, é necessário sofrer um pouco. Saborear ao pouco esse doce que nos vai completando, também progressivamente, contribuindo lentamente para a nossa paz de espirito. Lentamente vai reduzindo a saturação de agri. Que por sua vez também não faz gastar todas as reservas que ainda tens de doce para mim. Para o nosso equilibrio. Amo-te. 




1 comentário: